Na tarde de quarta-feira (19), a equipe do Serviço Social da Indústria do Distrito Federal (Sesi-DF) que faz parte do Vira Vida apresentou às entidades do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente a composição da 13ª turma do programa. Os estudantes têm de 14 a 21 anos, estão em situação de extrema vulnerabilidade social e a maioria tem defasagem escolar. As atividades estão previstas para começar em fevereiro.
Durante 16 meses, os 99 jovens vão frequentar aulas da educação básica do próprio Sesi-DF e de cursos de formação profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Terão acompanhamento psicossocial, promoção de direitos de saúde, cultura, esporte e lazer. O objetivo principal é a inserção socioprodutiva.
No primeiro mês, haverá a fase de socialização e acolhimento. Caso algum jovem desista de participar do projeto, outro candidato poderá ocupar a vaga, desde que tenha participado das fases do processo de inserção.
“Os meninos e as meninas chegam até nós com demandas que vão desde carências pessoais a cuidados com a saúde. Nosso trabalho é suprir todas essas necessidades”, disse a coordenadora do Vira Vida no DF, Cida Lima.

A inserção de jovens no Vira Vida é feita por indicação da rede de apoio, a exemplo dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e dos conselhos tutelares. Sessenta e duas instituições encaminharam 404 inscrições. Foram aprovadas 99 e feito um cadastro-reserva de 26 – uma menina ainda está com avaliação pendente para ingressar na 13ª turma.
“O Vira Vida forma cidadãos completos e os ajuda na construção de um futuro melhor, por meio da educação e da qualificação profissional”, afirma a assistente social do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Samambaia Dayane Xavier.
Capacitação
Na terça-feira (18), a equipe do Vira Vida e professores do Senai-DF que dão aulas a alunos do programa participaram de uma palestra sobre saúde mental. O objetivo do encontro, no Sesi São João XXIII, no Gama, foi orientá-los a identificar possíveis sinais de transtornos mentais. Desenvolvimento físico e mental, ansiedade, instabilidade emocional, automutilação e suicídio foram alguns dos assuntos abordados.
Em formato de bate-papo, o palestrante e psiquiatra da infância e da adolescência Thiago Blanco (foto) contou um pouco da sua experiência como médico e explicou como é feito o diagnóstico de transtornos em vítimas de violência. “A personalidade do ser humano é consequência do temperamento e do que foi vivido por ele, por isso é necessário ter um olhar amplo para avaliar as condições e os mecanismos ideais para tratamento”, explicou.
Blanco destacou também a importância de iniciativas como o Vira Vida para esse público. “Eles têm a necessidade de pertencimento a um grupo, e o trabalho feito pelo programa dá a eles esse sentimento”, disse, em referência ao atendimento psicológico, à terapia comunitária e à assistência social, além do vínculo que criam entre si.
“A autossabotagem é umas das principais características dos alunos que entram no projeto. Ao longo do período que permanecem conosco, mostramos o potencial que têm, a capacidade e as competências de cada um, mas não é um processo fácil”, contou Cida Lima.
Um dos temas que mais assombram a equipe pedagógica é que os estudantes levem para a vida adulta os traumas da infância. “A capacitação técnico-científica que recebemos hoje nos dará suporte em sala de aula, pois vamos saber identificar situações e fazer o encaminhamento correto”, diz a professora de Português Danielle Cunha.
Histórico
Criado em 2008, o Vira Vida é uma iniciativa do Conselho Nacional do Sesi. No DF, desde 2009, formou 670 alunos de 15 a 21 anos em 12 turmas. O Sesi São João XXIII, no Gama, é exclusivamente dedicado às atividades do programa.
Veja aqui as fotos da apresentação da composição da nova turma do Vira Vida no DF.
Veja aqui as fotos da capacitação.
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