Preparados para ressignificar a própria história, dar um novo sentido à vida e traçar um caminho próspero, 95 alunos se formaram nessa terça-feira, 27 de junho, no Vira Vida. A cerimônia ocorreu no auditório do Ministério Público do DF e Territórios. O programa, iniciativa do Serviço Social da Indústria do Distrito Federal (Sesi-DF), atende adolescentes e jovens de 15 a 21 anos em situação de extrema vulnerabilidade social.
“Cada um de nós tem algo difícil para contar sobre a própria história, mas o Vira Vida nos ensinou a ser perseverantes. Hoje, reconhecemos as nossas dores, mas temos consciência de que elas não nos limitam. Não vamos mais sobreviver, e sim viver. Saímos do casulo e nos tornamos lindas borboletas, prontas para alçar grandes voos”, disse a formanda Andressa*, de 16 anos, aos colegas e ao público do evento de formatura. A borboleta é o símbolo do programa. Representa transformação, renascimento e renovação.
Andressa* integrou a 14ª turma do Vira Vida. Pelo período de um ano, os alunos tiveram aulas de educação básica e profissional, acompanhamento psicossocial e promoção de direitos de saúde. Foram capacitados em cursos como Assistente Administrativo, Excel Intermediário, Operador de Computador, Oratória para Líderes, Preparação para Inserção no Trabalho, Qualidade no Atendimento, Recepcionista e Recrutamento e Seleção de Pessoas. Todos receberam uma bolsa-auxílio mensal e refeições diárias. O objetivo final é a inserção socioprodutiva dos participantes.
Na cerimônia, o presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra) e diretor regional do Sesi-DF, Jamal Jorge Bittar, falou da importância das parcerias para o êxito do projeto e destacou a sensibilidade das instituições em reconhecer que o Vira Vida transforma pessoas. “Os jovens saem preparados para o mercado de trabalho, se tornam grandes talentos. Só precisam de uma oportunidade, e é graças à junção de esforços que temos alcançado o sucesso com o encaminhamento deles para estágio, programa de aprendizagem e até emprego formal.”
Iniciada em maio de 2022, a turma teve 100 matriculados e 95 concluíram o programa. Destes, 88 já foram contratados e dois participam de processos seletivos. Cinco alunas estão gestantes ou tiveram filho recentemente, por isso serão inseridas no mercado de trabalho posteriormente.
A equipe multidisciplinar do programa continua acompanhando os jovens seis meses após o ingresso no mercado. O monitoramento é feito por meio de visitas ao ex-aluno e do contato periódico com o supervisor dele no local de trabalho.
O Ministério Público do DF e Territórios é parceiro do Vira Vida desde 2012 e já contratou cerca de 150 participantes como jovens aprendizes. Na formatura, a vice-procuradora-geral de Justiça Jurídico-Administrativa, Selma Sauerbronn, exaltou a educação como instrumento de mudança do País. “Quem tem conhecimento consequentemente tem poder, transforma, busca e consegue subir outros degraus. Ao mesmo tempo, tem responsabilidade: honrar esse aprendizado. É gratificante ver o brilho no olhar de tantos jovens que sonharam com este momento e hoje são ricos de conhecimentos. Nós, do Ministério Público, continuaremos a apoiar o Vira Vida com o nosso programa de aprendizagem, para que mais pessoas cresçam profissionalmente”, afirmou.
Para a execução das atividades da 14ª turma, foi firmado no ano passado um termo de convênio entre a Secretaria de Justiça e Cidadania do DF e o Sesi-DF, com a destinação de R$ 3,8 milhões por meio de emenda do então deputado distrital Rodrigo Delmasso, atual secretário da Família e Juventude do DF. “Eu acredito plenamente no papel social que o Vira Vida desempenha na nossa cidade, por isso batalhamos para que a iniciativa se tornasse uma política pública distrital. A partir do texto, foi estruturado o modelo de atendimento para jovens vítimas de violência sexual”, explica Delmasso, autor da Lei nº 7.210, de 28 de dezembro de 2022.
Conheça o programa
A metodologia do Vira Vida, criado em 2008 pelo Conselho Nacional do Sesi, é dividida em quatro eixos: desenvolvimento humano, que trata da elevação da autoestima e do fortalecimento de vínculos; capacitação para o mercado de trabalho, com educação básica e cursos de formação profissional; qualidade de vida, que inclui cuidados com a saúde física e mental; e empregabilidade.
“Para o Brasil avançar, é necessário investir na educação — assim a sociedade terá bons profissionais no futuro. Pensando nisso, o Conselho vai propor e dialogar com os estados da Federação para que todas as unidades do Sesi pelo País recebam o Vira Vida. Além disso, estamos trabalhando em conjunto com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para tornar a iniciativa uma política nacional, em prol de uma pátria democrática, livre e igualitária. Assim, meninos e meninas que estejam dentro do perfil do programa terão seus direitos garantidos”, afirmou o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Vagner Freitas de Moraes.
O Sesi-DF executa o programa desde 2009 e já formou 669 jovens. A iniciativa tem o apoio de outras instituições do Sistema S – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do DF (Senai-DF), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do DF (Senac-DF), Serviço Social do Comércio do DF (Sesc-DF) e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no DF (Sebrae-DF). O atendimento aos jovens é realizado na unidade Sesi São João XXIII, dedicada exclusivamente ao programa.
São parceiros do processo de inserção socioprodutiva a Fibra, a Caixa Econômica Federal, a Latam Linhas Aéreas, o Ministério Público do DF e Territórios, o Sabin Medicina Diagnóstica, o Sicoob Empresarial e a Urbi Mobilidade.
*Nome fictício em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.


No decorrer dos encontros do Vira Vida, os alunos participam de rodas de terapia comunitária. É um espaço para falar das dores e dificuldades. Na última aula, a proposta é contrária. A ideia é relembrar os bons momentos e enxergar o amadurecimento e o crescimento pessoal. “Devolvemos a eles dignidade, pois muitos chegam para nós destruídos pelos traumas que sofreram na infância. Também devolvemos confiança, que muitas vezes foi perdida para aqueles que deveriam cuidar e amar, mas que os machucaram”, relata Cida.





Na cerimônia, o troféu do Vira Vida DF foi recebido por ele. “É necessário dar oportunidade; essas crianças precisam de alguém que as escute e que proponha a possibilidade de um caminho diferente. Muitos conquistaram o ensino superior, alguns, a casa própria e outros realizaram grandes sonhos, coisas até então inimagináveis. É maravilhoso ver que uma iniciativa tão linda alcance vitórias grandiosas”, completa. O presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra) e diretor regional do Sesi-DF, Jamal Jorge Bittar, e o superintendente do Sesi-DF, Marco Secco, prestigiaram o momento, que também teve a participação musical de alunas do Vira Vida e da banda Vozes da Indústria da instituição.






“Eu adoro brincar de lego, mas não fazia ideia que era possível construir um robô com as peças desse brinquedo. É incrível! Todas as equipes são animadas, ficam cantando e dançando. Achei tudo muito divertido. Se eu pudesse, passaria o dia todo aqui”, disse, empolgada, a aluna do 4º ano do Ensino Fundamental Ana Júlia Leal, de 9 anos, que estuda na Escola Classe 410 de Samambaia. Ela visitou o festival na quinta-feira (16).
Para a professora de Português Nara Araújo, que dá aulas no Centro de Ensino Fundamental 01 do Paranoá, saídas pedagógicas contribuem para o desenvolvimento dos alunos e são uma oportunidade para que eles saiam da região onde moram. “Muitos não têm sequer o hábito de sair do Paranoá, seja por condições financeiras ou por disponibilidade dos familiares em levá-los. Eventos como esse estimulam a criatividade, o pensamento crítico e a interação com os colegas. É benéfico em inúmeros sentidos.”
O evento foi aberto ao público e tinha entrada gratuita. Viajando de férias pelo Brasil, a família de Katiane Moreira, de 43 anos, de Foz do Iguaçu (PR), estava de passagem para conhecer Brasília e teve um motivo especial para fazer uma visita ao festival: a filha mais velha, Giulia Moreira, de 17 anos, foi competidora da F1 in Schools e participou do torneio nacional de 2022. O marido de Katiane, Tacio Demarchi, e a caçula da família, Liz, de 9 anos, também estavam passeando pelo festival. “A tecnologia é o futuro das profissões. É preciso estar antenado ao que se tem de novo e a esse universo. A pandemia nos mostrou em pouco tempo a forma de encarar positivamente novas ferramentas de ensino. Por isso, acho fundamental estimular o interesse das minhas filhas”, disse Katiane, enquanto percorria a área dos pits FLL com a filha Liz, enquanto Tacio e Giulia estavam atentos às disputas de F1.
Divididos em subgrupos dentro das quatro disputas, eles participaram de todo o Festival. A aluna da 1ª série da unidade do Gama Luísa Nobre, de 16 anos, afirma que o evento foi uma oportunidade de fazer intercâmbio com colegas de outros lugares do País e de enxergar a robótica com outro olhar. “A robótica faz parte do nosso dia a dia na escola como disciplina, mas a proporção em uma competição é gigante. É uma disputa saudável, em que uma equipe quer o sucesso da outra, a alegria contagia a todos e o público pode interagir de uma forma efetiva.” Luísa foi um dos anjos que ficou na área da First Robotics Competition. Fez a entrega de óculos de segurança — equipamento exigido para acesso a área —, tirou dúvidas quanto a logística do espaço e avisava quanto aos horários de alimentação.

Cerimônia de premiação

Alice Kallyta Ferreira, de 12 anos, da equipe Young Inventors, estreante no torneio, ficou encantada com o acolhimento e a recepção dos colegas. “Até agora a coisa mais bacana foi com certeza a animação e o entusiasmo de todos. As pessoas vibram e torcem como se fossem do grupo. A diversão prevalece, independentemente do querer ganhar”, disse, sorridente, a aluna do Sesi Várzea Grande, de Mato Grosso. Alice sonha se tornar engenheira eletricista e vê o aprendizado da educação tecnológica como o passo inicial. “Desenvolvemos um projeto de limpeza de placas solares que não utiliza produtos químicos e que reaproveita a água da chuva. Assim, o equipamento terá uma sobrevivência maior. Estudamos e fizemos muitas pesquisas, sempre em conjunto. Esta é a maior lição: escutar o outro e decidir o melhor para equipe.”

