O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) realizou na quinta-feira, 5 de maio, encontro com egressos do programa Vira Vida que fazem parte da equipe de jovens aprendizes do órgão. A ação teve também a participação da equipe psicopedagógica do Vira Vida e foi realizado com o objetivo de sensibilizar o grupo quanto a importância do trabalho e para apresentar as normas e as regras do processo de aprendizado.
Os aprendizes são egressos da 13ª turma do Vira Vida, programa do Serviço Social da Indústria do DF (Sesi-DF) que atende pessoas de 15 a 21 anos em situação de extrema vulnerabilidade social. Durante 16 meses, eles frequentaram aulas da educação básica e fizeram cursos de formação profissional. Contaram com acompanhamento psicossocial, promoção de direitos de saúde, cultura, esporte e lazer.
Quinze egressos da última turma formada pelo programa foram contratados pelo MPDFT como jovens aprendizes. A oportunidade garantiu ao grupo a inserção socioprodutiva, último eixo metodológico do projeto, que tem como objetivo encaminhar os ex-alunos para programas de aprendizagem, estágio ou emprego formal. A metodologia do Vira Vida é dividida em mais outros três eixos: capacitação, que vai da educação básica a cursos de formação profissional; qualidade de vida, que inclui cuidados com a saúde física e mental; e desenvolvimento humano, que trata da elevação da autoestima e do fortalecimento de vínculos.
“Os jovens saem resilientes e protagonistas da própria história. São reestabelecidos os direitos sociais como cidadão e, a partir do apoio de entidades parceiras, como o Ministério Público, damos a eles a oportunidade da primeira experiência no mercado de trabalho”, explicou a coordenadora do Vira Vida no DF, Cida Lima, aos participantes do encontro.
O MPDFT é parceiro do Vira Vida desde 2012 e já recebeu 98 estudantes do projeto como jovens aprendizes. “São contextos de vida difíceis, mas que estão sendo superados. Os jovens adquirem novas competências e habilidades que os prepararão para um futuro emprego. E é por meio da supervisão e orientação de servidores que isso será potencializado, pois estamos dispostos a contribuir para que os objetivos sejam alcançados”, disse a vice-procuradora-geral de Justiça Jurídico-administrativa do órgão, Selma Sauerbronn.
Eles terão uma carga-horária de trabalho de dezesseis horas semanais e mais quatro horas de capacitação profissional, onde aprenderão noções administrativas, informática, postura profissional e rotinas do ambiente organizacional. A gestão dos contratos e a capacitação são de responsabilidade da empresa Renapsi.
“O programa de aprendizagem é luz para aqueles que não tem a indicação de um caminho a se seguir. Já para o Ministério, é o cumprimento da nossa missão, que é transformar em realidade os direitos da sociedade. A parceria gera lindos frutos, há histórico de ex-aprendizes que se apaixonaram pelo Direito e hoje atuam por inspiração de terem estado aqui”, diz o chefe da seção de Estágio Voluntário e Jovem Aprendiz do Ministério Público do DF e Territórios, Valdmar Pereira.
Egressa do Vira Vida Isabela*, de 18 anos, se diz outra pessoa após passar pelo programa e o pouco tempo de trabalho. “A timidez é o maior exemplo da minha mudança. Eu tinha vergonha de absolutamente tudo, e hoje eu aprendi a lidar com esse medo. Tenho que tratar assuntos com várias pessoas na promotoria e a minha chefia me ajuda em cada detalhe, é maravilhoso.”
Empregabilidade
Dos 75 alunos que se formaram em outubro de 2021 na 13ª turma, 72 estão trabalhando. Uma egressa morreu em fevereiro deste ano, vítima de tuberculose, e outras duas tiveram filhos recentemente. A inserção socioprodutiva é o objetivo principal do projeto.
O Vira Vida foi criado pelo Conselho Nacional do Sesi em 2008. Em Brasília, o Sesi-DF executa o projeto desde 2009 e já formou 574 jovens, de 15 a 21 anos, em 13 turmas. O Sesi São João XXIII, no Gama, é exclusivamente dedicado às atividades do programa.
*Nome fictício, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.


Os três filhos do servidor dos Correios Marcus Garcia, de 40 anos, participaram do festival: Davi, de 13 anos, no futevôlei e Sara e Ester, de 11 e 10 anos, respectivamente, no futsal. Além dele, os avós paternos dos adolescentes, Leia Garcia e Neri Cardoso, assistiram as competições. “É um programa em família. Os meninos se divertem e, ao mesmo tempo, podemos nos curtir”, afirmou Marcus, que foi aluno do Sesi-DF na infância. “Estudei até o 8º ano do Ensino Fundamental na instituição. Sei o quanto a escola exerce uma influência positiva. Por isso meus dois filhos mais velhos são matriculados aqui e inscrevi os três nas atividades esportivas. A gratuidade também é outro ponto positivo, pois não há outro lugar com essa estrutura e sem custos.”

A primeira fase da EJA será o reconhecimento de saberes. Nessa avaliação de conhecimentos, os alunos terão de preencher formulários e indicar o que já sabem sobre determinados assuntos. “Não há certo ou errado, avaliamos a experiência de vida da pessoa e, a partir disso, criamos uma trilha de aprendizagem. Um cozinheiro, por exemplo, tem noções de matemática e de química ao preparar uma receita. O motorista de aplicativo sabe analisar um mapa geográfico e fazer cálculos sobre o uso do combustível e o custo de uma viagem. Aqui vocês aprenderão de que forma isso é um conteúdo didático e aproveitaremos os saberes já existentes”, explicou a diretora do Sesi Taguatinga, Rosileide Braz, aos participantes.


Para a execução da 14ª turma, foi assinado um termo de convênio entre a Secretaria de Justiça e Cidadania do DF e o Sesi-DF, no valor de R$ 3,8 milhões, destinados por meio de emenda parlamentar do deputado distrital Rodrigo Delmasso (Republicanos), que direciona recursos públicos ao projeto desde 2016.

Na terça-feira, 19 de abril, representantes e vice-representantes de turmas do Ensino Fundamental Anos Finais e do Novo Ensino Médio, dos turnos matutino e vespertino, participaram do curso de Identificação de Riscos e Prevenção de Acidentes. A capacitação abordou temas como tipos de acidentes, atenção a saídas de emergências e equipamentos de proteção individual (EPI). Os participantes receberam certificados de Técnico Mirim e devem replicar o conteúdo para os colegas de sala.
Para o 1º vice-presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra), Pedro Henrique Verano, o projeto contribui para uma conscientização coletiva. “É parte da rotina do Sesi cuidar da saúde e da segurança do trabalhador, porém este programa tem um viés especial: ele constrói a consciência da segurança na criança e no jovem. Os alunos vão levar para casa tudo o que aprenderam nestes dois dias e poderão cobrar dos seus pais e dos adultos das suas famílias se eles estão seguindo corretamente as regras de segurança no trabalho deles.”
“É muito legal aprender coisas novas. Eu adorei tudo que foi ensinado, em especial conhecer os EPIs e a função de cada um. Ver de perto como usar um extintor para apagar fogo também foi emocionante”, contou, empolgado, Nicolas Wyldyley Sousa (foto), de 10 anos, do 5º ano do Ensino Fundamental. 


A primeira colação de grau, no dia 18, foi das turmas do 9º ano do Ensino Fundamental, da 3ª série do Ensino Médio e da EJA do Sesi Taguatinga. João Ribeiro, de 63 anos (foto à esquerda), foi um dos formandos. “Após anos sem estudar, resolvi retornar à escola. Senti a necessidade de aprimorar meus conhecimentos e de ter um certificado. O Sesi foi fundamental para a realização desse sonho. A sensação é de dever cumprido”, afirmou. Segundo Ribeiro, a meta agora é de cursar a faculdade de Administração.


Desenvolvimento de um Sistema de Avaliação da Saúde de Riachos do Cerrado — Estudo de Caso no Distrito Federal e Entorno. Esse foi o tema do primeiro lugar do VII Prêmio Codeplan de Trabalhos Técnico-Científicos. “É uma proposta prática de um modelo de avaliação da saúde dos rios do DF. A ideia foi motivada pela percepção sobre o atraso da avaliação da qualidade da água, pois hoje o foco é sobre paramentos físicos e químicos e não sobre o ecossistema como um todo”, explicou a bióloga e autora do trabalho, Camila Aida Campos. A pesquisa fez parte da tese de doutorado em Ecologia, cursado na Universidade de Brasília (UnB).